domingo, 24 de janeiro de 2016

Tristeza

Quando a tristeza chegar
Na bainha dos teus olhos
E arrebentar a represa
Deixando correr as lágrimas
Deixa fluir
Permite que te levem
Que molhem os sulcos
E os caminhos do teu rosto
Melhor assim
Terás a face a irrigada
E com certeza
Ali mesmo hão de nascer
Sorrisos e gargalhadas
É só teres paciência 
Pra esperar o dia e a hora certa.



Curitiba, 24 de janeiro de 2016

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Quando eu te ouço
Dentro do meu silêncio
Minha boca não fala
Cala
Tu também nada dizes

O que se passa entre nós
É um entrelaçar de amores
Carinhos, pensamentos
Palavras não ditas, infinitas
Não verbalizadas, antecipadas

Não ultrapassam o limite dos lábios
Não passeiam pelos dentes
Pela língua
Apenas existem

Felizes momentos
Cumplicidade
Ar respirado
Embriagado de saudades
Ah, quando te ouço...
Pura cumplicidade
Ideias se cruzam

De concreto,
Apenas um abraço
Um simples toque
Que tudo resume:
Como te quero bem!

Curitiba, 21 de agosto de 2015




segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Caminhar

Se o que te resta é caminhar
Caminha
Segue em frente
Laça o teu destino
Deixa o medo no teu ponto de partida
Não pares, tem coragem
Mesmo diante das pedras 
Não esmoreças
Aprende
Segue em frente
Pega na mão da certeza
Caminha com leveza
Aprecia o caminho
Olha para os lados
Espalha o que de bom tiveres
Não te esqueças dos sorrisos
Dos abraços que sabem a paraíso
Leva essa cruz pendurada no peito
E outra, encrustrada no coração
Com a firmeza das tuas crenças
E a suavidade do gesto
Certamente chegarás ao final
A luta não será fácil, nunca o é
Mas com estes presentes
Com as graças que recebestes
Verás no término um sentido
Uma razão
Farás então a tua prece
Com palavras de gratidão


Curitiba, 17 de agosto de 2015

sábado, 15 de agosto de 2015

Poetar

Ai, como às vezes me dói
Tirar de mim uma palavra
Um verso, uma rima
Por pequenina que seja
Deixar vir à tona a tristeza
Que se abate sobre meu corpo
Sobre cada nó, cada aspereza
Ai, como dói...
Mas é melhor deixar fluir
Aparecer, revelar
Do que esconder
Esquecer, guardar
E depois adoecer
Chorar, gemer...
Por isso, abro a porteira da alma
Sem escrúpulos, com muita calma
E mostro tudo nos poemas
Tudo revelo
Inclusive a dor que queima, maltrata
E que acaba por valer a pena
Por que ensina, amadurece,
Cicatriza e transforma
Tudo em prece
Tudo em gratidão
Tudo em transcendente beleza



Curitiba, 9 de agosto de 2015

domingo, 9 de agosto de 2015

Ao meu Pai


Aquele lugar era divino
Tinha flor, passarinho
Regato, sombra, canto

Água de rio correndo
Bem de mansinho
Tinha vento leve
Com tamanho de menino
Tinha cor
E fruta colhida no pé
Tanto sabor!
Tinha sol, tinha nuvem
E tinha chuva também
Tinha de tudo o que é bom
Tinha cheiro de café
E bolo de fubá
Lembrava-me sempre a infância
Mesmo depois de crescida
Tinha sempre carinho
Beijo e abraço apertadinho
Pra quem deles precisasse
Era tão bom aquele lugar...
Pensando bem
De tão bonito que era
Parecia chuva fina 
Caindo na primavera
Àquele lugar sempre volto
Ouço risos, nunca “ais”
Tinha nome e endereço
Era o coração do meu pai...


Curitiba, 9 de agosto de 2015

sábado, 8 de agosto de 2015

De tudo faço versos, poesia
Pode ser da tristeza, da alegria
Da falta de amor, de bom senso
Do caos imenso, intenso
Que nos espreita logo ali
Sabe, é preciso respirar
Viver, continuar
Confiar, e não temer
Entender que a vida 
É muito mais
Que viver num mundo louco
É isso e mais um pouco
É ter pra sempre o coração 
Batendo no peito, nas mãos
Nos olhos, em tudo
Conexão profunda
Com tudo o que ainda
Não aconteceu
Mas já faz parte de nós.


Curitiba, 8 de agosto de 2015

sábado, 1 de agosto de 2015

Esperei 

Por um longo tempo
Que a alegria voltasse
Hoje ela veio
Em forma de energia
De coragem
De vontade de seguir em frente
De ser mais gente
De ser feliz
Nem os gritos do bêbado
Me tirando do sono gostoso
Após uma noite de lua cheia
Me roubaram o gosto
Do café cremoso
Do pão proibido
Lambuzado de geléia
Ou do amor
Que sinto por você



Curitiba, 1º de agosto de 2015